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Goth side

17, Dezembro 2007

Houve um tempo em que eu não sabia amar, não tinha amigos, apenas um coração gelado, olhos inertes, e a alma coberta pelas trevas dos amores não correspondidos do passado…

 

Eu era infeliz, andava nas sombras, passava minhas noites desafiando a mim mesmo a continuar vivo no outro dia, eu me detestava e por isso me testava, torcendo pelo meu próprio fracasso;

 

Maldizia os casais apaixonados, execrava a Afrodite, pretendia matar a Vênus e adoraria depenar Cupido…

 

Eu era um perdido num mundo que não sabe pra onde vai…

 

Tinha um ar silente, de alguém que nem sente quando a lagrima cai…

 

Já não suportava viver, queria gritar, ou correr, pra não mais sangrar, sofrer, essa vida fria, sem razão; precisava de um amigo, uma mão, que me desse abrigo, atenção, que me entendesse, escutasse, que ficasse comigo, e me amasse, e do meu peito ferido, cuidasse, aparando as lágrimas, e as dores, trocando as mágoas por flores, enchendo minha vida, de cores, meus olhos e ouvidos, de amores…

 

Minha filosofia era a misantropia, era avesso aos meus semelhantes que, não eram iguais a mim.

 

Vivia uma vida soturna, lúgubre, taciturna, triste… 

 

Mas eis que um dia, numa noite quente em que eu lutava contra a tristeza, você apareceu, vestida de preto, mas com uma luz alva saindo dos olhos…

E eu, que me achava insensível, fui tocado por aquelas palavras, por aquelas mãos, por aqueles lábios doces que me fizeram reviver, sentir, amar…

 

Oh, Belos lábios, vós que tiram as palavras desse poeta insano que agora ama, permita que eu os beije outra vez;

Oh, belos olhos, vós que cegam com teu brilho obscuro, permita  meu olhar fixar no teu por mais um instante;

Oh, doce dama, tu que tens olhos e lábios dignos de adoração e reverência, permita que mais uma vez, este jovem e até então incrédulo pagão, sinta o sabor do amor, o gosto da paixão, antes que o dia acabe, e eu me sufoque com o odor infecto da saudade …

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Etílico

13, Dezembro 2007

Um pingo de chuva goteja de meus olhos de sol, uma lágrima bela, perfeita, linda, triste, fria, salgada, única.

Um sorriso se desfaz em meus lábios ressequidos, tépidos, indiferentes, apáticos.

Nas paredes as figuras me observam indiscretas, insensíveis, curiosas, despreocupadas, intrigadas.

Na tela do computador um soneto de Augusto dos Anjos, nas caixas de som uma música suave, na cabeça as idéias soltas, presas, livres, conectadas, distantes, próximas, belas, más, suaves, estranhas, rudes, delicadas, bizarras.

Estou ficando louco, lúcido, alienado, brilhante, obscuro, insano, indecente… Mas eu acho que não é nada disso, por mais que possa parecer.

 

Mesmo assim, eu me sinto tão leve… E eu nem sei por quê.

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Suave…

8, Dezembro 2007

Olho pela janela e vejo a luz alva do sol vespertino, pela porta o ar circula livremente;

Uma brisa quente que posso sentir em minha nuca, me arrepiando tal qual fosse um daqueles beijos que só meu anjo sabe dar, e talvez até fosse, por que não, tal beijo…

Gosto de pensar que meu anjo me beija nessas brisas, que ela me afaga com a luz do sol, e que me envolve em seus braços com as gotas finas duma chuva suave…

 

Penso isso nas horas de tristeza, quando todo meu mundo parece desabar…

 

E quando sinto que meu anjo sofre, também peço à brisa, ao sol, à lua, e aos ventos que lhe mandem meus beijos, e sei que mesmo inconscientemente, ela pode sentir.

 

Seus olhos são tão bonitos…

 

O outono chega, preguiçosamente, tomando aos poucos o lugar que outrora pertencia ao verão, preparando-nos para o inverno.

 

Os cães vadios vagueiam pelas ruas da metrópole cinzenta, as pessoas, muito ocupadas, cuidam de suas vidas, os pássaros seguem seus destinos incertos, e eu continuo aqui, sentado diante do computador, inserindo dados na máquina, observando a tarde chegar de mansinho através do movimento da luz nas paredes…

 

Eu não queria estar aqui, eu queria estar lá, ali, mas não aqui, eu quero estar nos seus braços, e te ter nos meus… Sussurrar ao seu ouvido, bem baixinho, “Amo-vos…”, e adormecer envolto pelo som suave de sua respiração…

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13, Novembro 2007

Inconstantes, incertas, insípidas, insalubres e incoerentes, as palavras me vêem… E uma a uma vão se alinhando, como um delicado jogo de armar, formando meu castelo de cartas em tom sustenido de cinza, com valetes quase infinitos e mesmo assim, absurdamente repetitivos!

Meus textos estão defasados, meu estilo literário, seja ele qual for, de tão pífio, já penso em abandonar, e joga-lo num canto, junto do que sobrar de minha dialética…

É nessas horas que eu queria saber desenhar, seria tão mais fácil ilustrar meu estado se espírito;

Seria um quadro só, com uma janela aberta para o vazio, uma única luminária acesa, e, ao fundo, eu, agachado num canto escuro, murmurando algum soneto de Augusto dos Anjos, provavelmente seria Psicologia de um Vencido, ou Budismo Moderno… Ah!

Quem liga?

Quem se importa com minhas emoções a não ser eu mesmo?

Tão poucos!

Tão raros e nem tão sinceros, os ouvidos que talvez me dessem alguma atenção agora repousam, dormem, será que sonham comigo?

Maldito suplício de ser poeta!

Maldita sina de apenas ser, existir, viver a escrever para as gavetas…

Se nós somos o que escrevemos, eu então posso me definir em verso e em prosa como uma sucessão de textos tristes, intercalados de histórias felizes, com trechos onde não há luz suficiente para se ler, além de inúmeros capítulos que se encerram antes do fim, violentamente interceptados por impiedosas reticências…

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You.

12, Novembro 2007

O mundo estava em chamas, minha vida estava ameaçada pelos demônios que levo dentro de mim, “só um grande amor pode te salvar” disse certa vez uma cigana cujo nome se perdeu no tempo;

 

Enlouquecido, torturado pelas próprias emoções e pensamentos num conflito insano, estaria talvez cego buscando um amor por anos em vão;

 

“Anjos não existem!” Disse uma velha bruxa ao passar por mim uma noite dessas em que eu saia louco em busca do que mesmo? Eu não vi seu rosto, não faz mal, ela estava errada…

Anjos existem, conheci um, ou melhor, uma, quando viajei para o um lugar chamado Céu, ou coisa parecida, para fazer algo que esqueci completamente quando vi aqueles olhos tão belos e aquela face tão delicada…

Se anjos não existem, o que é você?

Uma fada, uma ninfa, a velha bruxa num disfarce, ou apenas uma doce ilusão?

 

Seja uma fada, seja a ninfa, seja a velha bruxa, mas, por favor, seja real…

Exista, não apenas em meus sonhos ou em minha mente, exista, faça-se real…

 

Por que povoas meus sonhos se és real?

Como pude tocar-te se é ilusão?

 

“Tu nunca amará, nem serás amado, tu estás condenado ao desterro e a solidão” Gritou me um gótico depressivo a caminho do cemitério… Era noite, mas tudo ficou claro como o dia, embora a lua me cegasse com sua penumbra;

 

Seus olhos eram a luz que eu devia seguir, seu peito era meu porto seguro, você minha última esperança de ser feliz…

 

Quisera eu poder descrever tudo o que se passa em minha mente insana num único e louco texto desesperado cheio de manchas de lágrimas… Impossível…

Não sei definir o que sinto, o barulho das vozes dos pensamentos não me deixam em paz, o ruído estrondoso do meu silencioso isolamento me…  Ah… Sei lá… Eu to tão confuso… Eu tava falando do que mesmo?

Não importa, esqueça essa bobagem toda, rasgue esse papel se quiser, resuma estas 340 palavras em apenas três, muito melhores e mais fáceis de se entender:

 

EU TE AMO!

 

 

Fui claro?

Se sim, apenas esqueça do mundo e me beije;

Se não, tudo bem, eu mesmo faço isso… 

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Devaneios e alucinações

29, Outubro 2007

Busco esconderijos entre suplícios e me perco em labirintos escuros, sem uma palavra sua, um gesto amistoso ou, quem sabe, até um adeus acenado.

A dor da indiferença é pior do que supunha, é um misto de raiva e incerteza, é o anseio por notícias e o ímpeto de saltar num precipício.

Lágrimas de sangue verto sobre papéis e minha face parece desfigurada. Desatinada, corro pelos quatro cantos em disparada.

Devaneios e alucinações me alimentam a alma. Regozijo!

Entre bramidos e disparos, degusto o fel, flagelada por uma saudade estúpida e vã. Constato que as nuvens continuam inacessíveis e o céu – bem sei – está muito, muito além delas. Oh, amargo paladar.

Entre um lampejo e outro, o sorriso no canto da boca dá vivacidade a meu semblante. Longínquas recordações, eis a razão. Outras esferas…. O natal ilusório, o palhaço no circo, o banho de rio, minha infância arrancada. Eu era feliz quando na vida acreditava.

Minha visão futurística é um teatro de sombras, onde seu pérfido amor me assombra, onde falsas juras me enlaçam e eu que já não creio em nada me rendo ao teu ritual religioso para depois do ápice ser arremessada à vida boemia e suas desgraças.

A música do barzinho me turba o espírito com oscilações. A realidade longe… e você cada vez mais presente, entre uma copada e outra, entre lágrimas contidas e palavras engasgadas.

Por isso é que simplesmente vago a esmo, esgueirando-me com receio de tudo que desconheço .

  by  Tatiana Pessoa

 

Texto belíssimo de minha igualmente bela amiga Tati.

Obrigado, baby! ^^

Para ver mais, visite o blog dela, com certeza valerá a pena!

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Errata.

25, Outubro 2007

Você sempre dizia que me amava olhando fundo nos meus olhos, de modo que eu nunca tive certeza se você falava pra mim, ou para sua própria imagem refletida em minhas retinas!

Mesmo assim, eu me divertia vendo você tentar me convencer de que seus beijos eras sinceros, que sua paixão era real e que seu suposto amor realmente existia…

Na verdade, você tentava convencer a si própria disso tudo.

Acho que apenas confundimos as palavras, atribuímos significados diferentes aos vocábulos errados, usamos de fonemas antigos para nossas novas emoções, fomos vitimas do neologismo, erramos na semântica de nossa relação.

Custamos a aprender que amor e paixão, ainda que se complementem, não são a mesma coisa, que afeto e lascívia não são sinônimos, e que tezão independe de sentimentalismo barato.

 

Quem sabe um dia nós aprendamos a diferença entre atração sexual e amor puro, carinho e segundas intenções, promessas falsas e eternidade…

 

Somos jovens, temos muitos erros pela frente…

Preparem as garras, e os curativos, minhas crianças, temos muitos corações para ferir, e muitas marcas para curar…

Apenas começamos.

 

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Conversa afiada…

23, Outubro 2007

Hoje deu vontade de usar o blog como diário, sabe, de fazer como algumas pessoas fazem qdo escrevem tudo oq estão sentindo, pra num futuro próximo/distante reler e dar boas gargalhadas, ou ficar puto da vida!

Hoje estou comunicativo, vejam só q beleza!

Hoje eu quero compartilhar minhas angustias, deixar todo mundo triste, jogar minhas duvidas nas costas alheias e então, sair pra tomar um sorvete^^

Ai, ai… tô entediado… de novo….

Ontem eu fiz as contas, e tenho pouco mais de 35 dias letivos pela frente, meu curso técnico tá acabando, e ano q vem tenho q decidir pra q curso presto vestibular, afinal, mamãe merece outro filho acadêmico e o mundo precisa de mais um seja lá oq for q eu venha a ser^^

Blá, blá, blá……

Bom, considerações importantes sobre os poemas postados anteriormente, e futuramente:

Alguns deles são beeeeem antigos;

Alguns deles podem parecer sem sentido, mas é pq foram escritos diretamente pra alguma menina q passou pela minha vida e destruiu meu coração, algumas coisas só estando lá pra saber, de modo que…  é isso ai;

Alguns são bem tosquinhos, mas fazer oq, ninguem é perfeito;

Nem todos representam meus sentimentos atuais, e nem tudo que tá escrito ainda existe;

Eles são meio pobres, mal acabados e feinhos, mas são todos honestos e limpinhos, e eu gosto deles!

Obrigado a quem perde momentos importantes da vida lendo essas baboseiras, posso ver claramente q eu ñ sou o único desocupado/angustiado/entediado deste mudo^^

No mais é blá, blá, blá….

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Mantra

18, Outubro 2007

Aquele gosto do teu corpo, aquele perfume dos teus cabelos, aquele sabor dos teus lábios doces, doces, doces, ainda estão amargamente impregnados na minha língua, mas minhas mãos, na minha boca, fazendo com que eu me afogue em lágrimas de desejo com gotas de luxúria.

 

Gorbin orduefeme bendizege istene vai.

 

Recito meu mantra tentando eliminá-la de minha mente, tentando encontrar uma luz no fim do túnel, mas a única luz que consigo ver é a que vem do brilho dos teus olhos, que me levam à perdição ao invés de me salvar!

 

Faço nosso o meu segredo agora, revelando que não foi por acaso, que não foi por querer, fiz de tudo pra te esquecer, mas foi inútil, pois agora ouço sua voz a noite, vejo-a em meus sonhos e por vezes acordei assustado pensando ter sentido o calor de seu corpo no meu, fico louco tentando encontra-la em lugares onde nuca estive, tudo isso por que te amo, tudo isso por que aquele gosto do teu corpo…

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Não tem título

16, Outubro 2007

                                                          Lábios em perfeita

                                                          Simbiose

                                                   tão Dóceis, tão frágeis

                                                    tão Resignados ao descaso

                      capazes de tudo por Míseros momentos de alegria e calor

                                                          Fantasiando amores eternos

    e uma cura inexistente para a Solidão.

                                                         Lamentamos em segredo,

                                choramos em Silêncio, tristes,

                                        graças às Dolorosas lembranças

                                         de nosso Relicário de dores eternas, que molha  o rosto,

                  e nos faz acreditar em Milagres, poções, encantamentos,

                                                   em Fábulas e contos de faz de conta, e nos traz a esperança

     de mais uma vez, poder ver o Sol brilhar, antes da noite apagar tudo novamente…