
Sobre corações e lobos.
9, Janeiro 2008Por gentileza, sirva-me apenas um café, frio, escuro e amargo, pois combina mais com o momento, casa perfeitamente com o prato principal dessa noite, cujo céu assemelha-se a meu estado tácito de espírito.
Por favor, apressa-te, traga meu café, e venha cear comigo, faz-me companhia, ajuda-me a comer essa macabra iguaria, este coração humano, dilacerado, servido morno e ainda pulsante nesta belíssima e luzente bandeja de prata…
E não te esqueças do vinho tinto, pois creio que não há nada melhor que o vinho para celebrar a dor que sinto agora, pois este coração, meu bom amigo, é meu, ou pelo menos era, não importa, fora arrancado em fragmentos, um pedaço por vez, e este resultado belo que vês, tal obscura obra de arte tivera inúmeros colaboradores, e cada um deles estava absolutamente ávido para tirar uma lasca e deixar sua marca…
Sentai, e comei, este é meu coração, que fora ferido por todos, para a satisfação lasciva de vossos instintos…
Apressa-te, por favor, apressa-te, que o tempo passa e o alimento esfria, e não te esqueças, pois, que o molho fora feito de lágrimas, e salgará a carne cada vez mais, e que o sangue contido nas suas veias só tem gosto enquanto fresco… E eu odeio os coágulos, eles tendem a ficar presos nos dentes de forma absurda!
Comei amigos, comei, que meu coração apesar de ter duro como pedra os nervos, sempre fora bondoso, e estou certo que te serás um bom alimento…
Dói-me cada garfada, pois eis que agora as sinto, mas prefiro dar-vos todo ele a entregá-los aos lobos que me cercam, e mesmo esses lobos me acarinhando e lambendo, eu sei que estão ávidos para morder-me a jugular…
nossa AMEI…essa poesia… que triste e forte! belissima composicao e desabafo!
O artista acerta quando toca o coracao do telespectador!
Abraço
Nane Pereira
Macabro…forte…penetrante…
[ varios flash's na imaginação ]