Inconstantes, incertas, insípidas, insalubres e incoerentes, as palavras me vêem… E uma a uma vão se alinhando, como um delicado jogo de armar, formando meu castelo de cartas em tom sustenido de cinza, com valetes quase infinitos e mesmo assim, absurdamente repetitivos!
Meus textos estão defasados, meu estilo literário, seja ele qual for, de tão pífio, já penso em abandonar, e joga-lo num canto, junto do que sobrar de minha dialética…
É nessas horas que eu queria saber desenhar, seria tão mais fácil ilustrar meu estado se espírito;
Seria um quadro só, com uma janela aberta para o vazio, uma única luminária acesa, e, ao fundo, eu, agachado num canto escuro, murmurando algum soneto de Augusto dos Anjos, provavelmente seria Psicologia de um Vencido, ou Budismo Moderno… Ah!
Quem liga?
Quem se importa com minhas emoções a não ser eu mesmo?
Tão poucos!
Tão raros e nem tão sinceros, os ouvidos que talvez me dessem alguma atenção agora repousam, dormem, será que sonham comigo?
Maldito suplício de ser poeta!
Maldita sina de apenas ser, existir, viver a escrever para as gavetas…
Se nós somos o que escrevemos, eu então posso me definir em verso e em prosa como uma sucessão de textos tristes, intercalados de histórias felizes, com trechos onde não há luz suficiente para se ler, além de inúmeros capítulos que se encerram antes do fim, violentamente interceptados por impiedosas reticências…

