Busco esconderijos entre suplícios e me perco em labirintos escuros, sem uma palavra sua, um gesto amistoso ou, quem sabe, até um adeus acenado.
A dor da indiferença é pior do que supunha, é um misto de raiva e incerteza, é o anseio por notícias e o ímpeto de saltar num precipício.
Lágrimas de sangue verto sobre papéis e minha face parece desfigurada. Desatinada, corro pelos quatro cantos em disparada.
Devaneios e alucinações me alimentam a alma. Regozijo!
Entre bramidos e disparos, degusto o fel, flagelada por uma saudade estúpida e vã. Constato que as nuvens continuam inacessíveis e o céu – bem sei – está muito, muito além delas. Oh, amargo paladar.
Entre um lampejo e outro, o sorriso no canto da boca dá vivacidade a meu semblante. Longínquas recordações, eis a razão. Outras esferas…. O natal ilusório, o palhaço no circo, o banho de rio, minha infância arrancada. Eu era feliz quando na vida acreditava.
Minha visão futurística é um teatro de sombras, onde seu pérfido amor me assombra, onde falsas juras me enlaçam e eu que já não creio em nada me rendo ao teu ritual religioso para depois do ápice ser arremessada à vida boemia e suas desgraças.
A música do barzinho me turba o espírito com oscilações. A realidade longe… e você cada vez mais presente, entre uma copada e outra, entre lágrimas contidas e palavras engasgadas.
Por isso é que simplesmente vago a esmo, esgueirando-me com receio de tudo que desconheço .
Texto belíssimo de minha igualmente bela amiga Tati.
Obrigado, baby! ^^
Para ver mais, visite o blog dela, com certeza valerá a pena!



