Posts de Setembro, 2007

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A Dama e o Menestrel.

22, Setembro 2007

Vou contar-lhe uma história sobre poesia, amor, e nós mesmos, e sobre o destino, e sobre como tudo isso começou…

 

Primeiro havia um garoto, que sorria de dia e chorava à noite, que o peito escondia fugindo do açoite;

Cujos olhos confusos buscavam o vazio, o gosto da morte, fugia do frio, querendo a sorte dum poema sombrio.

 

Um pouco infeliz por não conhecer a felicidade, um pouco vazio de amor ou bondade, – isso em outros tempos, dizia nos aos ventos;

Já quisera gostar, aprendera amar, menos ser amado, ficava num canto, isolado do mundo isolado…    

 

A história começa num milagre, destino, acaso, era o cosmos, eram as portas do zeppelin abertas para nós, era o universo conspirando a favor dos corações que se uniriam – Não é justo, ele não crê em Deus, ela fora preparada para mim, Deus me disse! Repetia um pregador daquela religião ao discutir com os ouvidos moucos que não lhe davam atenção…

 

Podia ser ateu, podia ser crente, podia ser nada, se não fosse quem sou…

 

E esse garoto perdido, andando na direção em que o vento soprava, encontrou alguém sem rumo, indo na mesma direção, pelo nada, não era dia, nem noite, não era tarde nem madrugada, fora um sonho? Encontrara sua amada?

 

E vivo, ele chorou.

 

 - Eu sinto como se nunca houvesse visto seu rosto antes, mas há muito tempo sonho com o dia em que te encontraria.

Agora eu acho que vi a luz, deixe-me ir, seus olhos serão meus guias pra qualquer lugar que eu vá…

 

The blue bus is callin’ us, driver where you taken’ us?

 

Sua mente vem ao meu encontro, ma s seu corpo, esta em outro lugar, preso a regras impostas por erros do passado.

 

Ela guarda em si um tesouro, por isso trás sempre consigo um guardião, que a protege dos corsários da caravana de Espanha, e a afasta de mim, um pobre menestrel desprovido de pátria e paragem…

 

Vive assim, a nobre e o plebeu, um romance secreto, omitido aos amigos e escondido dos desafetos, que se soubessem do flerte que ocorria entre o jovem casal, não se fariam de rogados e logo romperiam a harmonia dos sussurros de apaixonados, um artifício cruel, na inútil tentativa de roubar um coração que pertence a dois.

 

Tal situação causa dor ao aprendiz de poeta, que mesmo entendendo a situação da jovem de seus olhos, sofre.

 

Porem o sofrimento, misturado com o amor sentido, e por doces gotas frias das lágrimas salgadas dum sorriso ardente num sonho incontido, dão inspiração e força ao garoto – e a garota – que só querem o divino direito de ser feliz, sem limitações ou olhos febris, pois eles, afinal de contas, são apenas crianças brincando de amar…

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Tácita

18, Setembro 2007

Derramo agora sobre o papel uma tácita essência, ainda pura, bela, e não poluída pelas impurezas implícitas na fala, versos nobres, que se derramam sobre a página para te agradar…

 

A pele branca da face contrasta com o negro véu formado pelos seus cabelos, uma imagem tão bela que dispensaria mesmo as palavras mais doces, e mesmo nos sonhos mais breves se faria presente…

Teus lábios, por si só, bastariam para compor toda uma epopéia, e uma ode completa poderia ser dedicada aos teus olhos, isso sem falar nos intermináveis sonetos que poderiam ser escritos para cada um de seus sorrisos…

Mas eu quero mais.

Bastaria-me, pois, apenas te olhar, apenas te ver para que uma imensidão de versos me ressoasse no crânio, numa ânsia lasciva para serem derramados no papel, mas ai, ai que tu me entorpeces!

Para onde vão as palavras quando te vejo é ainda um mistério, e parvo só me resta beijar-te, pois desprovido da dialética que mais pode um poeta fazer?

E aqui, só, te escrevendo de memória os pequenos fragmentos que se esconderam sobre os escombros das ríspidas e rápidas horas que agora parecem não ter a mesma pressa, penso, reflito, calculo quantas horas faltam para te encontrar e meço os passos dos ponteiros que se recusam a caminhar no mesmo ritmo que certamente farão quando eu finalmente te ver…

Ou o compasso rotatório da Terra está desalinhado, ou ele me zomba, brinca comigo, ora fazendo-se demorar, e ora apressando-se…

 

E, uma a uma, as palavras jorram, regando de poesia a pálida face do papel…

Quanto a mim, busco outra vez abrigo nas entranhas tépidas do contentamento, e apenas por te ver, já me valeu todo o risco de sair…

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A Mágoa

14, Setembro 2007

A mágoa era absoluta! Contida, engasgada, engolida. Total descaso, mascarado sob um véu de conveniências. Queria matar ou morrer, bem sabia que essa não seria a solução, mas era a sua vontade o que podia fazer?! Ora pelo amor de Deus! Já havia tantas coisas contidas, privadas que lhe queriam agora tirar o direito de ser humana! Faça-me o favor! Hoje não! Queria a ferida cutucada, bastava de compreensão, ponderança. Qual a razão de continuar assim se esse era um caminho de mão única? Bem certo que não sabia qual seria o caminho, mas por hora preferia ficar assim, nesse vazio supostamente preenchido, ruminando a tristeza engolida, tossindo a mágoa engasgada. Sabia sim, sabia que não poderia continuar assim, mas por hora isso lhe bastava.

 

Natasha Herculano

 

 

 

Texto da Nat, postado no meu blog, para o deleite de vocês!

Incrível é pouco pra definir; …

*_*

 

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Meu coração ainda sabe mentir!

14, Setembro 2007

Canto o adeus sem palavras, os olhares confusos, as mãos inquietas, celebro as lágrimas falsas duma despedida repleta de tristeza hipócrita, exalto as doces mentiras que dizemos no último instante, regozijo agora, tudo aquilo que fingimos sentir, o que negamos dizer, comemoro, enfim, nossas vidas belas e covardes, cheias de amores vãos e amizades fúteis, de pessoas falsas e sentimentos frívolos…

Cantemos e celebremos nossas almas vazias de carinho, nossos corações cheios de angústia, nossas mentiras felizes, nossa realidade cruel, regozijemos a magnífica sombra do amor que um dia existiu em nosso mundo, celebremos enquanto ainda há vida em nossa razão, e choremos pelo fim da razão em nossas vidas.

Machuque meu coração, me faça sofrer, minta!

Eu também sei fingir, causar dor, omitir, por amor;

Minhas palavras podem ser falsas também, meu coração ainda sabe mentir.

Como são belos os olhos que crêem no que digo, eles tem um brilho tão lindo, pode ser amor reprimido, pode ser ódio contido, ou simplesmente a luz de minha própia falsidade refletida neles.

Como são patéticas as palavras de amor, apaixonar-se é ridículo, e crer no amor é um suicídio inútil da própia razão.

Uma velha cigana me disse certa vez que não via vida em meus olhos, questionou se eu era mesmo um humano…

Ela quis ler minha mão, ver meu futuro, saber meu passado, adivinhar minha sorte, me abençoar em nome de algum deus, eu não permiti, ela insistiu, então eu a matei.

Mas, já não havia mais esperanças, esgotou-se o amor no mundo, estamos fadados ao desespero, à dor, aos doces sonhos que jamais se realizarão, às amargas decepções que se amontoam junto aos pesadelos, ao ódio, e tudo o que nos resta são as mais belas mentiras que o amor pode nos contar através das palavras apaixonadas de um poeta que jamais aprendeu a amar…

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Once upon a time…

5, Setembro 2007

Eu quis brincar com as estrelas, andar sobre os planetas, pegar carona num cometa, habitar uma nuvem e me despedaçar em Marte com um meteóro…

Eu quis voar como Ícaro, ser forte como Hercules e morrer jovem como Jim;

Quem dera se pudesse realizar meus sonhos, e desfazer meus pesadelos, quem dera se fosse possível erguer meu castelo de cartas sobre o solo arenoso de minhas duvidas.

Tantas incertezas, tantas dúvidas, tantos questionamentos, tantas coisas que mesmo toda minha racionalidade e objetividade se confundem com pensamentos subjetivos e medos!

Que saudades que tenho dos meus oito anos, da aurora da minha vida, da minha infância perdida que os anos não trazem mais mais…

Que saudades que tenho de quando tudo que eu queria, se realizava com um simples abracadabra, quando eu usava minha varinha de condão, nas histórias doces de um “Era uma vez…”

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Dopamina, dopamina, dopamina!

3, Setembro 2007

Eu não preciso de cafeína,

nem de qualquer outro estímulo narcótico,

pois ainda que me sobre no sangue demasiada endorfina,

sinto que estou a ponto dum surto psicótico!

 

Mas, oh, dopamina, dopamina, dopamina!

Pelo inferno, o que houve com toda minha Amantadina?

Meus malditos transmissores neurais

Estão todos torpes, há muito não trabalham mais!

 

Acentuam-se a noradrenalina, e a acetilcolina

Acima de todos os padrões ditos normais

Luto, mas sinto nebulosas as retinas…

 

E por fim desfaleço, pois forças, já não tenho mais

Quem sabe a inanição de minhas rimas

Me traga ao menos um pouco de paz…